25 de Março, 2019 | Por admin

O Devido Trabalho De Um Pastor: Como Eu Vou Lembrar Eugene Peterson

Nesta semana demos às boas-vindas para Eugene Peterson na nossa plataforma com o livro A Oração que Deus Ouve. Conhecido por sua paráfrase da Bíblia, A Mensagem, esse autor morreu em 22 de outubro de 2018, aos 85 anos. Traduzimos este texto para te incentivar a começar a saborear um pouco do rico legado deixado por esse irmão.

Eu só encontrei Eugene Peterson uma vez.

Em 2014, um amigo e eu publicamos uma coleção de ensaios por uma série de pastores e acadêmicos lidando com a visão de Peterson para a vida pastoral. Na primavera daquele ano, o Western Theological Seminary hospedou uma conferência baseada no livro e convidaram Peterson. Para a minha surpresa, Peterson, já na sua oitava década e aposentado de aparições públicas, concordou participar. 

A conferência caiu no seu aniversário de 82 anos.

No jantar do seu aniversário, eu me sentei na mesma mesa do que ele. Eu me lembro da nossa reverência para com a sua idade e sabedoria. Eu me lembro de ouvir as suas histórias. Eu me lembro de como ele nos fez rir. Eu me lembro de como ele sorria quando cantávamos Parabéns para ele.

Mas, naquele ponto na minha vida, Peterson já tinha deixado a sua marca em mim. Jantar com ele foi só a cereja do bolo.

Deserção Pastoral

Anos atrás, eu estava lutando como pastor para mudar os rumos de uma igreja. Eu estava convencido de que o poder da minha liderança, a profundidade da minha pregação e a minha personalidade carismática e sociável, sem mencionar a minha humildade, eram suficientes para salvar um navio de um naufrágio. Eu tentava muito ser o líder visionário que o meu bispo me convencera que eu deveria ser.

E eu tive um sucesso moderado, o que deixou tudo pior.

Eu estava cansado, e eu tinha uma inquietação persistente de que não era assim que o ministério deveria ser. Foi então que eu descobri a obra de Peterson, ou pelo menos foi aí que eu acordei e ouvi o que ele tinha a dizer.

Em alguns de seus livros, Peterson parecia briguento, reclamando com seus colegas pastorais por abandonarem seu devido trabalho, por desertarem. Ele cria que os pastores americanos tinham deixado de ser pastores e começaram a ser CEOs e gestores. Eles começaram a “gerir igrejas” ao invés de pastoreá-las. Eles tinham começado a usar a linguagem para convencer, persuadir e bajular ao invés de proclamar, orar e curar. Eles tinham se esquecido de que a igreja pertence a Deus, e começaram a crer que era trabalho deles consertá-la.

Quando eu li isso, eu soube que era assim que eu estava tentando ser pastor.

O nosso devido trabalho

Vez após vez em seus livros, Peterson usou a frase “devido trabalho” como um resumo de uma alternativa: o que ele cria constituir o coração da vocação pastoral.

E a sua alternativa era salutar. Vamos imaginar que Deus está agindo nas nossas congregações, sugeriu. Vamos imaginar que a iniciativa não pertence a nós, mas a Deus. Vamos imaginar que o nosso trabalho é discernir o que Deus está fazendo e entrar no fluxo da obra graciosa de Deus.

Peterson dizia que quando imaginamos que estamos gerindo uma igreja, fazemos perguntas do tipo: “O que faremos? Como podemos fazer as coisas se agitarem de novo?” Mas quando redescobrimos o nosso devido trabalho, levar uma congregação a discernir o que Deus está fazendo e então responder a isso, um conjunto diferente de questões nos orienta: “O que Deus está fazendo aqui? Que traços da graça eu posso discernir nesta vida? Que história de amor eu posso ler neste grupo? No que Deus deu a partida e quer que eu entre à bordo?”

Peterson convidava os pastores a caminhar pela estrada que ele pensava estar ficando em desuso.

Na sua perspectiva, as nossas congregações não são problemas a serem solucionados, mas playgrounds do Espírito Santo. O nosso trabalho é discernir o que o Espírito está fazendo e responder em fé ao convite do Espírito para brincar.

Lembrando Peterson

Eu já esqueci alguns aspectos daquela conferência em 2014. Eu não lembro qual foi a história que Peterson contou que nos fez rir. Eu nem lembro o que eu disse no paper que eu apresentei na conferência, ou da resposta de Peterson.

Mas eu nunca vou esquecer como a sua visão de ministério reconstruiu a minha. Como ele me convidou a parar de pensar que eu era o único que estava fazendo o trabalho. Como ele me lembrou que há Outro no nosso meio que também está trabalhando e que o meu trabalho como pastor era ajudar uma congregação a discernir como participar no que esse Outro estava fazendo.

Foi como ele me chamou de volta para o meu devido trabalho.

Original aqui

Traduzido por Guilherme Cordeiro.