1 de Outubro, 2021 | Por admin

Respondendo ao fracasso (Jordan Raynor)

“Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo” Gálatas 6.2, NVI.

Ao contrário do que alguns “gurus espirituais de autoajuda” pregam, o Deus da Bíblia não nos promete sucesso. Antes de qualquer coisa, a Escritura deixa claro que os cristãos têm plena certeza de que haverá adversidades e fracasso. De Paulo a Pedro, de José a Jó, a Bíblia está cheia de histórias de homens e mulheres que experimentaram grandes fracassos tanto pessoal quanto profissionalmente. Ao longo de todas essas histórias, a Escritura nos revela um Deus que não está preocupado com nosso “sucesso”, mas está bem preocupado com nossa santificação e como nossos fracassos podem ser usados para nos moldar à sua imagem.

Hoje, mais e mais cristãos estão abraçando o chamado para criar, assumindo riscos para trazer à luz novas empresas, ministérios, arte, livros, músicas e outras formas de cultura para servir a outras pessoas. Nunca foi tão fácil seguir o chamado de Deus para criar! Mas precisamos lembrar que arriscar faz parte da natureza de criar coisas novas. Fracasso e adversidade — ao menos em algum nível — são inevitáveis para o cristão que está trabalhando para criar coisas que não existiram antes. Sabendo disso, como nós cristãos podemos responder ao fracasso de uma maneira que pregue o evangelho para nós e para outras pessoas?

Tudo começa com transparência — um princípio que está severamente em falta na igreja hoje. Vamos para a igreja nas manhãs de domingo, colocamos um sorriso no rosto e oramos para que não tenhamos que conversar sobre nada muito profundo. “E aí, tudo bem? Amei aquela foto que você postou no Instagram ontem à noite! Você viu o jogo ontem?” Ao invés de tratar os outros membros da igreja como irmãos e irmãs em Cristo, nossas conversas não são mais profundas do que o garçom do nosso restaurante favorito. Para muitos de nós, a igreja se tornou um clube social para mostrar nossa melhor versão ao invés de uma comunidade que se reúne para compartilhar honestamente nossas lutas e fracassos, seguros na graça de nossos irmãos e irmãs e, afinal, Deus.

Por que não somos mais vulneráveis? Porque, no final das contas, não estamos absorvendo plenamente o evangelho de Jesus Cristo para nossa salvação funcional cotidiana. Claro, entendemos que “pela graça [fomos] salvos mediante a fé”, confiando em Jesus para ter nosso ingresso para o céu. Mas vivemos como se ainda tivéssemos algo para provar, alguém para impressionar, ou algo que ainda precisamos fazer para demonstrar nosso valor. Tratamos o evangelho como um “extintor de incêndio”, muito bom para nos manter longe do inferno, mas nada mais que isso. Na realidade, o evangelho é a única coisa que nos permite encarar lutas e fracassos com a verdadeira paz. Nas palavras de Timothy Keller, “os cristãos deveriam ser conhecidos por sua calma e compostura diante de dificuldades e fracassos. Isso pode ser a maior evidência de uma pessoa estar extraindo dos recursos do evangelho no desenvolvimento da sua identidade pessoal.”

Quando somos transparentes sobre nossos fracassos, estamos pregando um sermão para nós e para o mundo que diz que nossa identidade se baseia em Cristo somente. Não perca essa oportunidade para deixar Deus usar o seu fracasso para a glória dele e o bem do seu próximo!

Esperança em tempos de fracassos

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” Romanos 8.28, NVI.

Na fervilhante Chicago da década de 1860, vivia uma jovem família cristã de seis pessoas, cujo patriarca era um importante advogado e investidor. Tudo estava bem com esse jovem homem e sua família até o Grande Incêndio de Chicago destruir a maior parte de seu patrimônio. A perda foi significativa, mas foi irrelevante quando comparada à tragédia que esse mesmo homem experimentaria apenas dois anos depois quando sua esposa e suas filhas estiveram num naufrágio de uma viagem entre Nova York e a Inglaterra. Todas as quatro filhas morreram no acidente. Ao chegar na Inglaterra, a mãe mandou uma mensagem por telégrafo para seu marido em Chicago. “Só eu salva”, disse ela.

O marido deixou Chicago imediatamente, navegando para Inglaterra para encontrar sua esposa enlutada. Não sabemos muito sobre essa viagem pelo Atlântico, mas eu imagino que esse homem passou seus dias sozinho, lamentando sua perda e questionando seu Deus. Eu posso vê-lo encarando a janela para o mar, lendo o relato bíblico sobre Jó, um homem como ele que foi abençoado com muito, somente para ver tudo tirado dele num piscar de olhos. Não sabemos muito do que aconteceu naquele navio, mas sabemos disto: quando o navio cruzou o local em que as filhas daquele homem estavam descansando em paz, Horatio Spaffor escreveu estas palavras:

Se paz a mais doce me deres gozar,

Se dor a mais forte sofrer,

Oh! Seja o que for, tu me fazes saber

Que feliz com Jesus sempre sou!

Spafford tinha uma esperança que não se baseava nele, em sua capacidade de perseverar em meio ao sofrimento, ou nem mesmo no fato de que a sua esposa miraculosamente havia sobrevivido o acidente e estava lhe esperando cruzar o mar. Não, como seu hino clássico nos mostra, a esperança de Spafford esava baseada em algo mais profundo: Jesus Cristo e sua obra na cruz. Como ele escreveu na segunda estrofe:

Embora me assalte o cruel Satanás

E ataque com vis tentações;

Oh! Certo eu estou, apesar de aflições,

Que feliz eu serei com Jesus!

Ao navegar pelo oceano lamentando a perda de suas filhas, Spafford estava escrevendo sobre a cruz. Por quê? Porque a sua esperança estava baseada num Deus que entendia a sua dor, um Deus que viu seu próprio Filho inocente morrer na cruz e usou esse evento para a sua glória e nosso bem eterno.

As provações que você e eu enfrentamos pessoal e profissionalmente certamente empalidecem em comparação com a de Spafford. Mas a nossa fonte de esperança é a mesma. Se você perder o seu emprego, se você se atrasar na entrega de seu último produto, se você se vir forçado a demitir um funcionário, ou mesmo se o seu negócio completamente falir, você pode olhar para cruz, como Spafford fez, e dizer: “sou feliz, sou feliz com Jesus.” Romanos 8.28 nos lembra de que: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.” Ao continuarmos a falar sobre assumir riscos para criar cultura, fracasso e adversidade são inevitáveis. Mas nós, como Spafford, temos a esperança de que Deus está fazendo tudo para a sua glória e nosso bem.

Os empreendedores mais ousados do planeta

“Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram” Gálatas 3.26-27, NVI.

Imediatamente antes de Jesus passar quarenta dias no deserto resistindo tentações incessantes pelo Inimigo, ele foi batizado no Rio Jordão. Os últimos dois versículos de Mateus 3 contam o evento: “Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento, o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: ‘Este é o meu Filho amado, de quem me agrado.’”

Logo no próximo versículo (Mateus 4.1), lemos: “Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo.” O fato de esses eventos estarem juntos não é mera coincidência. Antes de Jesus iniciar seu ministério público com o que devem ter sido 40 dias agonizantes sozinho no deserto com Satanás, Deus o Pai fala audivelmente com Jesus, lembrando-o que ele é o Filho de Deus, que ele é amado e que o seu Pai “se agrada dele.”

Mesmo Jesus sendo divino, deve ter sido impressionante ouvir essas palavras sobre ele em público. Você e eu sabemos o resto da história. Jesus continua e ousadamente inicia seu ministério, resiste tentações, revela sua divindade e salva o mundo por meio de seu sacrifício na cruz.

Então o que esse relato tem a ver com a maneira que você e eu respondemos a adversidade e fracasso? Tudo! Gálatas 3.27 nos lembra de que “todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram”. Paulo está nos apontando para o batismo de Jesus, dizendo que, por meio da nossa fé em Jesus, fomos simbolicamente unidos com Jesus em seu batismo. Por causa da obra de Cristo na cruz, podemos ouvir o Pai falando as mesmas palavras ditas a Jesus como sendo ditas para nós: “Este é o meu filho amado; de quem me agrado.”

Segure-se firme nessas palavras, não porque talvez você as perca, mas porque elas dão a você e a mim a mesma ousadia que Jesus exibiu quando ele saiu do Rio Jordão. Qualquer fracasso que você esteja experimentando, lembre que você é um filho ou uma filha do Rei. Você é amado. O Rei se agrada de você. As palavras de Deus são verdadeiras e imutáveis. Nenhuma quantidade de sucesso ou fracasso vai poder mudar quem ele declara que você é. Que isso lhe dê a ousadia de responder bem a fracassos, ser transparente sobre suas falhas por amor ao evangelho e ter esperança eterna porque você está “revestido de Cristo”.


Por: Jordan Raynor. Website: https://jordanraynor.com/category/responding-to-failure/© Jordan Raynor, 2021. Traduzido com permissão. Fonte: Responding to failure.

Original: Respondendo ao fracasso. © The Pilgrim. Website: thepilgrim.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Guilherme Cordeiro Pires.

O ponto de vista deste texto é de responsabilidade de seu(s) autor(es) e colaboradores direito, não refletindo necessariamente a posição da Pilgrim ou de sua equipe de profissionais.

Imagem de Michael Dziedzic em Unsplash