25 de Outubro, 2021 | Por admin

Princípios de gestão de tempo na palavra de Deus (Jordan Raynor)

Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. (Tiago 4.13-14, NVI)

Muita gente me pede conselhos sobre gestão de tempo. Não é porque sou “perfeito” neste ponto, mas porque já tive que praticar bastante equilibrar diferentes atividades produtivas na minha vida. Além de atuar, ao escrever este texto, como CEO de uma startup de tecnologia com investimento externo (Threshold 360), também sou um escritor, dando o meu melhor para ajudar meus irmãos cristãos conectar o evangelho ao seu trabalho. Em casa, sou marido e também pai de duas garotas maravilhosas com menos de três anos. Dizer que a minha vida está uma loucura agora seria um pequeno eufemismo. Mas, apenas pela graça de Deus, estou “gerindo” tudo e ainda consigo ter 7 horas de sono toda noite, de alguma forma.

Gerir o meu tempo bem é uma obsessão minha há tempo. Por quê? Porque a Bíblia me lembra vez após vez de que as nossas vidas são “como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa” (Tiago 4.14). Deus ainda tem você e eu nesta terra por uma razão: amá-lo, amar ao próximo e fazer discípulos de Jesus. Somos um povo com propósito. Não fomos criados para simplesmente sentar e esperar a eternidade. Fomos chamados para agir no mundo, criar cultura, ser produtivos ao servir as necessidades ao nosso redor por meio de nossas vidas e de nosso trabalho. Em resumo, Deus nos chamou para nos juntarmos a ele na missão de redimir o mundo.

Tendo em vista a magnitude dessa missão e o tempo cada vez mais escasso, devemos ser as pessoas mais intencionais do planeta, vivendo com um senso de urgência saudável, sempre procurando fazer o melhor com o precioso tempo que nos foi dado. Nos próximos parágrafos, vamos explorar juntos a Palavra de Deus para descobrir alguns princípios de gestão de tempo que vem diretamente da Escritura. Mas também quero lhe advertir de que este processo não é fácil. Se fosse, não estaríamos lidando perpetuamente com este problema. No final das contas, a gestão de tempo que dá certo resulta de diligência e disciplina (Provérbios 21.5). Como veremos, ser disciplinado com o tempo nos libertará para fazer uma contribuição maior ao mundo em nome de nosso Senhor e Salvador.

Colocando limites no seu tempo

“Mas Jesus retirava-se para lugares solitários e orava” (Lucas 5.16, NVI)

Por todos os evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João frequentemente observam quanto tempo Jesus passou sozinho — longe dos discípulos, das multidões e da hiperatividade de seu ministério. A menção frequente desse comportamento sugere que Jesus era um mestre em colocar limites no seu tempo. Da mesma forma, se é para gerirmos nosso tempo com eficiência e fazer nossa maior contribuição ao mundo, também precisamos estabelecer limites claros em nossas agendas.

Como Jesus, isso deve começar ao dedicar regularmente tempo para oração (Marcos 1.35) e estudo da Palavra de Deus. A maior parte de nós está acostumada com a ideia de dar dízimo de nossa renda. Mas e o dízimo de nosso tempo? Se nós enchemos nossas agendas com demandas de nosso trabalho e de nosso lar e então tentamos encontrar tempo para gastar em oração e estudo da Palavra de Deus, estamos nos preparando para o fracasso. Se você não faz isso atualmente, separe tempo esta semana para determinar quanto tempo você ofertará exclusivamente a oração e estudo da Escritura diariamente.

Depois de colocar limites claros em sua agenda para disciplinas espirituais, pode ser útil assumir uma abordagem semelhante para planejar o seu tempo em casa e no trabalho. Para mim, uma rotina regular me ajuda a manter meu “equilíbrio entre vida e trabalho”. Quase todos os dias, eu vou para o escritório às 4h45 da manhã e chego em casa às 16h da tarde. Essa agenda previsível me dá limites claros em que me forço a me concentrar em meu trabalho. O meu trabalho sempre termina quando chega esse horário? Claro que não. Mas isso ainda seria verdade mesmo que eu trabalhasse até 17h, 18h ou até 22h. Não existe isso de terminar o trabalho a tempo. Colocar uma fronteira na minha agenda para o fim do meu dia no escritório assegura que tenho bastante tempo passar com minha esposa, meus filhos e minha igreja (que também é minha família).

Se você não separa tempo para colocar limites em sua agenda, outras pessoas colocarão. Se você ainda não fez isso, siga a orientação de Jesus e coloque limites claros sobre como você vai gastar o seu tempo. Esse é o primeiro passo para assumir o controle de seu horário e gerir bem o seu tempo.

Como acompanhar seus compromissos

“Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno.” (Mateus 5.37, NVI)

Jesus ordenou que nosso “sim” fosse “sim”, mas cada vez mais comum é que o “sim” de um cristão na verdade signifique um “não”. Todas as vezes que deixamos de cumprir um compromisso, nos atrasamos, não completamos um projeto a tempo ou deixamos de fazer o que dissemos que iríamos fazer por mensagem de “vou retornar a sua chamada assim que possível”, estamos desobedecendo a ordem de Jesus de que nosso “sim” seja “sim”. Nas nossas vidas aceleradas, estamos dizendo “sim” mais do que nunca, enquanto cada vez mais frequentemente deixamos de cumprir nossa palavra. O fato de que este pecado parece tão inócuo deveria soar o alarme da igreja. Somos imagem de Deus, representantes de Jesus Cristo a um mundo perdido. Para refletir nosso Salvador bem, precisamos guardar a nossa palavra.

Mas como faremos isso na prática? Começa por ter um sistema para coletar efetivamente todos os nossos compromissos. Isso pode ser tão simples quanto um pedaço de papel ou tão complexo quanto um sistema digital de gestão de tarefas como o app OmniFocus (o meu favorito, pessoalmente). A ferramenta é bem menos importante que o processo. Se é para seguirmos a ordem de Jesus para que nosso “sim” seja “sim”, precisamos ter uma forma de acompanhar tudo a que dissemos “sim”. Parece bem senso comum, certo? Porque é! Porém, infelizmente, poucas pessoas fazem isso bem. A boa notícia é que se trata de um problema super simples de resolver.

Em algum momento nesta semana, separe meia hora para fazer uma “lavagem cerebral” de todo compromisso que você fez consigo mesmo, seus amigos, seu cônjuge, seus filhos, seus colegas, etc. Depois de sua lista estar completa, procure compromissos que você precisa renegociar ou rapidamente fechar a pendência. Por exemplo, talvez você prometeu a sua vó que você ligaria para ela semana passada e você ainda não ligou. Separe 5 minutos para ligar para a vovó e cumpra esse compromisso. Que seu “sim” seja “sim” mesmo se você se atrasar. Eu prometo que, depois de passar por este exercício e você saber que tudo está fora da sua cabeça, você sentirá imenso alívio e paz.

O livro de David Allen A arte de fazer acontecer é o melhor recurso que já encontrei  para acompanhar todos os seus compromissos. 

Discernindo o que é essencial

Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: “Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!” Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lucas 10.38-42, NVI)

Marta tem uma fama ruim devido a sermões sobre essa passagem em Lucas 10. Mas a verdade é que todos somos Marta de tempos em tempos, lutando para identificar quais tarefas são as mais essenciais em dado momento. Obviamente, alguém precisava fazer a janta e aposto que Jesus gostava muito da hospitalidade de Marta. Não é que cozinhar não fosse importante. Jesus apenas deixou claro que não era o mais essencial que Marta ou sua irmã Maria deveriam estar fazendo naquele momento. O que era mais essencial naquele momento era ser ensinado aos pés de Jesus.

Como vimos anteriormente, coletar nossos compromissos, nossas tarefas e nossos projetos é uma etapa essencial de uma gestão de tempo eficiente. Mas, assim que todos os seus compromissos forem coletados, é hora de determinar quais são os projetos e as tarefas mais essenciais na sua lista. Esse processos requer esclarecer o que você crê ser o chamado de Deus nesta estação da sua vida e no seu trabalho. Com essa concepção mais ampla e esses objetivos mais gerais em mente, pergunte a si mesmo: “O que é aquela tarefa que, depois de eu a fazer, deixará tudo mais fácil ou frutífero dentro deste projeto?” A resposta a essa questão é o seu foco mais essencial. Suspenda tudo que você puder até que essa tarefa se cumpra. Repita esse processo de novo e de novo.

Quando eu estava escrevendo o meu último livro, Chamados para criar, eu fiquei sobrecarregado com o número de tarefas que precisavam ser feitas para levar tal projeto ao mercado. Eu precisava contratar um agente literário, conquistar uma editora, fazer entrevistas, escrever 50.000 palavras, construir uma plataforma para publicidade do livro, etc. Mas, no começo do projeto, eu sabia que, se eu não conseguisse um agente, nada mais no projeto importaria. Ter um agente era a tarefa mais essencial para mim. Então eu suspendi todas as outras atividades do projeto até que eu achasse um agente para me representar.

A verdade é que, em qualquer momento, poucas tarefas e projetos são verdadeiramente essenciais. Aprenda o hábito de identificar as duas ou três tarefas mais essenciais a sua frente e foque nelas até que o projeto se complete.

Como fazer um orçamento para o seu tempo

“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.” (Lucas 14.28-30, NVI)

Não é segredo que, para ser bem-sucedido financeiramente, você precisa planejar onde você vai investir o seu dinheiro antes de ele surgir na sua conta bancária. Devemos aplicar a mesma abordagem disciplinada ao nosso tempo. Afinal, diferentemente de dinheiro, não podemos ganhar mais tempo, então devemos ter ainda mais vontade de fazer um orçamento de nossas horas de que nossos reais.

Se você seguiu a orientação de Jesus que exploramos anteriormente, você já deve ter limites claros esboçando quanto tempo você pode se dedicar a ser produtivo a cada dia. Com esses limites estabelecidos, os seus compromissos delineados e suas tarefas essenciais identificadas, é hora de entrar num modo de planejamento mais granular, determinado como você vai gastar cada hora do seu dia. Eu amo as palavras de Jesus em Lucas 14.28: “Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?” A forma que “calculamos o preço” de nossas atividades produtivas é ao fazer um orçamento de nosso tempo, assegurando que temos o “suficiente” para terminar as coisas com que nos comprometemos.

Então como isso acontece na prática? No meu caso, eu passo os últimos 30 minutos de todo dia de trabalho identificando as tarefas e os projetos mais essenciais que eu quero cumprir no dia seguinte e planejando como vou alocar meu tempo para cumprir essas coisas e todo o resto no meu calendário. Dessa forma, quando eu me sento na minha mesa na manhã seguinte, eu não preciso gastar minha preciosa energia mental analisando o que farei em seguida. As decisões foram feitas. Agora tudo que preciso fazer é executar.

Por todo o livro de Provérbios, Deus revela a sabedoria de planejar de forma conservadora como gastar nosso tempo e nosso dinheiro. Ao planejar seus dias, seja intencional sobre subestimar o que você pode fazer num período de 24 horas. A natureza humana tende a superestimar o que podemos realizar em determinado período de tempo. Simplesmente saber disso lhe auxiliará a fazer decisões mais sábias ao planejar o seu tempo. É bem melhor terminar o dia com um tempo livre sem expectativas do que não terminar o que você começou.

Lembre a advertência de Jesus em Lucas 14.29-30: “Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar.” Não fazer o que dizemos que iríamos fazer estraga nosso testemunho a um mundo perdido. Planeje o seu tempo bem para garantir que você pode acabar o que você se propôs a começar. 

Quando Jesus disse “não”

“Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João à casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e falaram a respeito dela a Jesus. Então ele se aproximou dela, tomou-a pela mão e ajudou-a a levantar-se. A febre a deixou, e ela começou a servi-los. Ao anoitecer, depois do pôr do sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados. Toda a cidade se reuniu à porta da casa, e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando. Simão e seus companheiros foram procurá-lo e, ao encontrá-lo, disseram: “Todos estão te procurando!” Jesus respondeu: “Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim”.” (Marcos 1.29-38, NVI)

Quando Marcos começa seu relato do ministério de Jesus, ele retrata o Salvador numa sequência rápida de curas, expulsão de demônios de um homem na sinagoga e a cura da sogra de Pedro na sua casa em Cafarnaum. Naquela mesma noite, “o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados. Toda a cidade se reuniu à porta da casa, e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças.”

Não é surpreendente que, na próxima manhã, os discípulos corram para Jesus e digam: “Todos estão te procurando!” Claramente a cidade estava cheia de rumores sobre os poderes miraculosos de Jesus para curar e queria repetir a dose no dia seguinte. Mas Jesus disse “não”. No que provavelmente foi um choque para seus discípulos, Jesus disse: “Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim.”

Essa é a primeira, mas certamente não a última vez que ouvimos Jesus falar a palavra “não” nos evangelhos. Por que Jesus disse “não”? Obviamente ele tinha o poder de curar mais pessoas. Obviamente ele deseja aliviar a dor nas vidas dessas pessoas. Mas, embora Jesus quisesse curar mais pessoas, ele sabia que seu tempo aqui era limitado para cumprir o seu propósito. Jesus não veio à terra apenas para curar e revelar sua identidade. Ele veio para pregar sobre o evangelho na preparação para a Paixão que ele sofreria na cruz. Jesus foi claríssimo sobre o seu propósito e isso o levou a dizer “não” para coisas boas a fim de focar na coisa mais essencial que ele veio à terra para fazer.

Se Jesus não podia dizer “sim” para tudo, nem podemos nós. Você e eu temos tempo e recursos limitados. Para aproveitar ao máximo o tempo que nos foi encarregado, é crítico que sejamos super claros sobre o que cremos que Deus nos chamou para fazer e tenhamos o hábito de dizer não para as oportunidades — até as melhores — que nos distraem de nossa missão essencial.

Lembre-se, você está vivo por um propósito! Oro para que as Escrituras que analisamos até aqui nos desafiem a sermos sábios sobre como gastamos o tempo que nos resta nesta terra, usando nossas horas finais para amar Deus, amar outras pessoas e fazer discípulos de Jesus Cristo por meio de nossas vidas e nossa obra.


Por: Jordan Raynor. Website: https://jordanraynor.com/twbw/#time Jordan Raynor, 2021. Traduzido com permissão. Fonte: Time management principles from God’s Word.

Original: Princípios de gestão de tempo na palavra de Deus. © The Pilgrim. Website:  thepilgrim.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Guilherme Cordeiro Pires.

O ponto de vista deste texto é de responsabilidade de seu(s) autor(es) e colaboradores direito, não refletindo necessariamente a posição da Pilgrim ou de sua equipe de profissionais.

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