O trabalho cristão em um mundo pós pandemia

Jordan Raynor

Jordan Raynor

18 abr. de 2022

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10 minutos de leitura

Tenham como objetivo uma vida tranquila, ocupando-se com seus próprios assuntos e trabalhando com suas próprias mãos, conforme os instruímos anteriormente. Assim, os que são de fora respeitarão seu modo de viver, e vocês não terão de depender de outros. (Tessalonicenses 4:11-12)

Já está claro que uma das maiores e permanentes mudanças relacionadas aos nossos trabalhos pós-pandêmicos será onde trabalharemos fisicamente. Agora, mais do que nunca, muitos de nós estão trabalhando de casa ou em alguma espécie de modelo híbrido. E, no geral, posso afirmar que estamos adorando isso. De acordo com a agência de empregos Glassdoor, a busca por trabalhos remotos subiu a assustadora quantia de 460% nos últimos dois anos.

Como alguém que tem trabalhado de casa pelos últimos três anos, posso dizer que entendo perfeitamente a atração pelo homeoffice. Ele, de fato, possui benefícios maravilhosos, mas carrega consigo um alto custo. O apóstolo Paulo deixa claro na passagem que nosso trabalho é um dos principais locais – isso se não for o principal – em que podemos “ganhar o respeito dos de fora” e levar o evangelho.

Sendo assim, como nós, enquanto seguidores de Cristo, deveríamos estar pensando sobre essas mudanças em nossos trabalhos? Permita-me sugerir três respostas.

Primeiro: se você tem a chance de escolher onde trabalhar, o evangelho pode acabar te obrigando a sacrificar sua liberdade de trabalhar de casa para que você possa ser mais intencional em construir um relacionamento com não-crentes (veja o que está escrito em 1 Coríntios 10:23-33).

Segundo: se você decidir que o trabalho remoto é o melhor para você ou para o seu time, dedique algum tempo pensando em formas efetivas de construir relacionamentos em um ambiente virtual. Você pode, por exemplo, agendar, no momento do almoço, uma conversa para que possa jogar conversa fora com seus colegas de trabalho. Talvez matar um tempinho nas manhãs de segunda, antes do serviço, simplesmente para saber como todos estão, como foi o final de semana. De repente, você pode encorajar as pessoas a chegarem mais cedo às reuniões no Zoom, para que todos possam conversar um pouco antes da reunião começar.

Terceiro: considere a possibilidade de expandir sua perspectiva de missão pessoal para incluir, não apenas seus colegas de trabalho, mas também seus vizinhos. Talvez Deus esteja te chamando para sair um pouquinho com seus filhos à tarde pra você, dessa maneira, ganhar o respeito dos outros pais. Ou então, apenas convide algum vizinho, que você sabe que também trabalha homeoffice, para um café da tarde. Até um happy hour com seus vizinhos em alguma sexta a noite seria uma boa pedida.

É o lugar onde trabalhamos que está mudando, não o nosso chamado para fazer discípulos. Tire um tempo para pensar seriamente em como o seu evangelismo deve mudar em relação aos novos tipos de trabalho.7

O que Encanto tem para ensinar aos cristãos sobre nossa relação com o trabalho

Vocês, porém, são povo escolhido, reino de sacerdotes, nação santa, propriedade exclusiva de Deus. Assim, vocês podem mostrar às pessoas como é admirável aquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz (1 Pedro 2:9)

Desde o lançamento de Encanto, já o assistimos um número embaraçosamente grande de vezes aqui em casa. Se esse não é seu caso, lá vai um breve contexto pra te ajudar um pouco:

Encanto conta a história da família Madrigal, que vive em uma casa encantada. Essa casa, magicamente, abençoa cada membro da família com um talento único e extraordinário. No entanto, como a própria matriarca da família insiste em pontuar, o propósito desses dons não é apenas para fins individuais ou visando o bem da família Madrigal – é suposto que eles ajudem as famílias de fora da casa encantada.

Você já percebeu, né? Encanto é, essencialmente, uma história sobre dons espirituais. E não há uma única vez que eu assista esse filme sem me lembrar de 1 Pedro 2:9.

Eis a conexão: antes de Cristo, havia, no Templo, certos cômodos destinados para guardar as ofertas que os israelitas traziam (Neemias 10:37-39). O povo deveria ir ao Templo e o sacerdote deveria distribuir, tanto as bençãos espirituais quanto as físicas, ao povo. Hoje, no entanto, “vocês não entenderam que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1 Coríntios 3:16). Todos nós somos membros do sacerdócio real, chamados a carregar os dons que o Espírito nos deu para abençoar o outros. Os dons que Deus nos dá não podem ser guardados à sete chaves. É suposto que os compartilhemos com o mundo.

Essa verdade deveria mudar radicalmente nossa perspectiva sobre a quantidade sem precedentes de pessoas que tem largado seus trabalhos com o surgimento dessa pandemia. Para ser justo, muitos tem abandonado seus empregos visando focar em melhores oportunidades e que se encaixem melhor aos nossos tempos. Outros, especialmente aqueles com salários mais baixos, por questões bastante razoáveis relativas à sua saúde. Entretanto, existem milhões de pessoas que não estão largando seus trabalhos por alguma dessas razões. Muitos estão optando por não trabalhar mais ou aposentar-se mais cedo.

Eu oro a Deus para que esse não seja o seu caso...

Nosso mundo está mais destruído do que antigamente. Os empreendimentos estão lutando para sobreviver. Os pobres ficam cada vez mais pobres. E, dia após dia, centenas de pessoas estão morrendo separadas de Cristo. Não é o momento de desistir e enterrar os dons que Deus te deu. Agora é o momento de erguer suas mangas e utilizar seu dons para fazer com que o mundo se pareça cada vez mais com o reino de Deus.

3 Formas de ajudar o pobres no pós-pandemia

Quem ajuda os pobres não passará necessidade, mas quem fecha os olhos para a pobreza será amaldiçoado. (Provérbios 28:27)

Não demorou muito, depois do nosso lockdown, dois anos atrás, para notar que essa pandemia seria um grande boom para muitos negócios – especialmente aqueles centrados em tecnologia, como o Zoom, Uber Eats e streamings de entretenimento, na maior parte com trabalhadores que ganham bem. Por outro lado, outros setores da economia, tais como restaurantes e hotéis, que são majoritariamente compostos por trabalhadores que não ganham muito bem, levaram uma pancada bem forte e sofrem até hoje.


"Agora é o momento de erguer suas mangas e utilizar seu dons para fazer com que o mundo se pareça cada vez mais com o reino de Deus."


A história se repete: o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre. Como eu e você somos chamado para responder a essa dura realidade? Da forma como a Igreja sempret foi chamada para responder! Assim como no texto de Provérbios 28:27, somos convocados a dar com generosidade aos pobres. Como isso se daria em nossa cultura contemporânea?

Primeiro: se você é um daqueles que foram abençoados financeiramente, você pode, então, ser generoso diretamente com o seu dinheiro. Isso significar dar altas gorjetas em restaurantes ou doar, não apenas às organizações que se preocupam com questões espirituais na sua comunidade local, mas também às organizações que se preocupam com necessidades materiais.

Segundo: você poderia ser mais generoso com o seu tempo. Você conhece alguma mãe solteira que não apreciaria um horário de trabalho mais flexível, assim como você aprecia? Se ofereça para buscar os filhos dela na escola! Você é um empreendedor de talento? Então dedique algum tempo para criar um novo empreendimento com a clara motivação de criar empregos para aqueles que mais sofreram com a pandemia.

Terceiro: se você é líder de alguma organização, pense em como você poderia ser generoso com os pobre por meio das políticas de sua organização. Talvez isso signifique pagar seus funcionários em um espaço menor de tempo, de modo a facilitar a organização das despesas deles. Ou então, levantar a questão sobre as políticas relacionadas ao trabalho remoto, analisando casos por caso, para ver o que se pode fazer para melhorar a vida dos funcionários.

Essas são apenas algumas poucas ideias para te ajudar a pensar na melhor maneira de obedecer à constante ordenança das Sagradas Escrituras de sermos generosos com os pobres. Enquanto você medita sobre suas responsabilidades pessoais, se lembre das palavras de Provérbios 19:17:

Quem trata bem os pobres empresta ao Senhor, e ele o recompensará.

Que essa promessa, bem como a dor dos menos favorecidos ao seu redor, te impulsione a agir amorosamente hoje!

Será que o rei Josias confiaria em você desta maneira?

Sucedeu que, no ano décimo oitavo do rei Josias, o rei mandou ao escrivão Safã, filho de Azalias, filho de Mesulão, à casa do Senhor, dizendo: Sobe a Hilquias, o sumo sacerdote, para que tome o dinheiro que se trouxe à casa do Senhor, o qual os guardas do umbral da porta ajuntaram do povo, e que o dêem na mão dos que têm cargo da obra, e estão encarregados da casa do Senhor; para que o dêem àqueles que fazem a obra que há na casa do Senhor, para repararem as fendas da casa; aos carpinteiros, aos edificadores e aos pedreiros; e para comprar madeira e pedras lavradas, para repararem a casa. Porém não se pediu conta do dinheiro que se lhes entregara nas suas mãos, porquanto procediam com fidelidade. (2 Reis 22:3-7)

A pandemia fez crescer a pressão para que façamos nossos trabalhos de modo honrado e com excelência, mesmo quando nossos chefes nãos estiverem observando. Afinal, agora mais do que nunca, eles, de fato, não estão.

Com muitos de nós trabalhando completamente de casa ou em formato híbrido, há menos pessoas do que nunca olhando por sobre os nossos ombros. Enquanto isso levará alguns dos nossos colegas a relaxar em suas demandas, isso deve levar a nós, cristãos, a alcançar um nível sem precedentes de confiança dos nossos empregadores, tendo como exemplo os trabalhadores do templo, conforme vimos na passagem de hoje, lá em 2 Reis.

O rei Josias confiava tanto naqueles trabalhadores que está escrito que

não se pediu conta do dinheiro que se lhes entregara nas suas mãos, porquanto procediam com fidelidade.

Seria o equivalente de seu chefe te dando o cartão de crédito da empresa e não pedir os recibos. Seu chefes, sócios, investidores ou até mesmo clientes, podem confiar em você dessa mesma maneira? Deveriam e penso em pelo menos três motivos para isso.

Primeiro: a Bíblia ordena que sejamos confiáveis. O apóstolo Paulo disse,

vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo; não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus (Efésios6:5-6).

Segundo, pois sabemos, como fruto de promessa, “que o senhor recompensará” quem obedecer essa ordenança (veja o que está escrito em Efésios 6:8)! Claro, você pode mentir na sua tabela de horários, ou então enviar alguns e-mails fora do seu horário, de modo a passar a falsa impressão de estar trabalhando até mais tarde. No entanto, essas “recompensas” conquistadas pela força do pecado vão desaparecer, enquanto a recompensa eterna pela sua obediência durará eternamente.

Por fim, quando mostramos que somos “bons e inteiramente de confiança” no trabalho, as Sagradas Escrituras dizem que nós “tornaremos, em todos os sentidos, o ensino a respeito de Deus, nosso Salvador, mais atraente” (veja o que está escrito em Tito 2:10).

Conforme fazemos essa transição para um nova era de trabalho pós-pandêmico, seremos mais tentados do que nunca a trabalhar de maneira desonrosa. Que sejamos aqueles nitidamente diferentes – aqueles que nossos superiores e parceiros poderão confiar 100% do tempo – para a glória de Deus, nossa recompensa eterna e para o avanço do evangelho!

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Jordan Raynor

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Original: Por: Jordan Raynor. Website: https://jordanraynor.com/twbw/#pandemic Jordan Raynor, 2022. Traduzido com permissão. Fonte: A Gospel Perspective on Work in a Post-Pandemic World

© The Pilgrim. Website: thepilgrim.com.br. Todos os direitos reservados.

Tradução: Maurício Avoletta Júnior

O ponto de vista deste texto é de responsabilidade de seu(s) autor(es) e colaboradores direitos, não refletindo necessariamente a posição da Pilgrim ou de sua equipe de profissionais.


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Jordan Raynor é um empreendedor e escritor best-seller. Ele também é presidente executivo da empresa Threshold 360 e foi cofundador da Citizinvestor.


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